Avaliação da capacidade de redução de desoxinivalenol pelo processo de limpeza de trigo em grãos em mesa densimétrica
Jessia Carneiro Mello, Luciano Lucchetta
Abstract
Desoxinivalenol (DON) é a toxina com maior ocorrência em trigo. Para o processamento deste cereal é recomendável a utilização de ferramentas de controle de perigos para segurança de alimentos, como por exemplo, HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Points), que é útil para identificar, avaliar e propor medidas preventivas para eliminar ou minimizar perigos a níveis aceitáveis. Além disso, há a obrigatoriedade de atendimento ao requisito legal proposto pela RDC n°138/2017 da ANVISA, que apresenta limites máximos toleráveis para DON de 1000 e 750 ppb em farinha de trigo integral e branca respectivamente, o que têm demonstrado a preocupação pública aos efeitos desta contaminação para a saúde dos consumidores. Assim, o objetivo deste trabalho foi investigar a capacidade de redução de DON em trigo em grãos por meio da limpeza realizada em uma mesa densimétrica como parte do plano HACCP na produção de farinhas de trigo. Para isso, foi realizada uma amostragem de acordo com recomendação do Regulamento CE n°401/2006, adaptado para coleta em processo contínuo. As coletas foram realizadas separadamente em pontos específicos do processo de limpeza em mesa densimétrica, denominados como “entrada”, “fração leve” e “fração intermediária/pesada”. Cada amostra global obtida foi analisada, em duplicata, para quantificação de desoxinivalenol utilizando Cromatografia Líquida de Ultra Pressão acoplada a detector de massa/massa (UPLC-MS/MS) no equipamento UPLC ACQUITY Waters®. Os resultados encontrados demonstraram que a “fração leve” separada é a porção mais contaminada (8627,90 e 11634,95 ppb), contra a “entrada” (354,70 e 683,10 ppb) e a “fração intermediária/pesada” (926,55 e 2045,00 ppb). Deste modo, foi verificado que a mesa densimétrica é capaz de reduzir o teor de desoxinivalenol pela separação dos grãos avariados com elevados teores da micotoxina dos grãos sadios, que efetivamente seguem para a moagem, assegurando níveis aceitáveis legais em farinhas, além de reduzir riscos à segurança de alimentos.