RODA DE CONVERSA: ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DAS MULHERES E QUESTÕES DE GÊNERO
Viviane Maria Cavalcante Tavares, Laura Marques Angelo Neto, Elvys dos Santos Pereira, Maria das Graças Monte Mello Taveira, João Klínio Cavalcante, Divanise Suruagy Correia
Abstract
A história revela que a saúde da mulher no Brasil recebeu atenção no início século XX limitada aos aspectos da gravidez e do parto. Sabe-se que, em comparação com os homens, as mulheres buscam mais os serviços de saúde, além de terem maior expectativa de vida, sendo acometidas por patologias variadas como ser humano e não apenas por aspectos reprodutivos. A violência é praticada contra as mulheres, seja física ou emocionalmente e/ou através de relações de poder desiguais, normas e valores de gênero que se traduzem em acesso e controle diferenciado sobre os recursos de saúde, dentro e fora das famílias. Assim, descobrindo e entendendo a necessidade de abordar o cuidado integral com mulheres de uma comunidade que é assistida por uma unidade de ESF que acolhe estudantes do curso de Medicina para atividades práticas, três discentes da graduação na Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), apoiados por docentes da Saúde Coletiva, elaboraram um Projeto de Extensão, no sentido de promover o cuidado referente à Atenção Integral à Saúde da Mulher (AISAM). O presente trabalho objetiva relatar vivência nessa extensão que tem como tema central e disparador a Saúde da Mulher, trazendo o resultado de uma roda de conversa no dia de ação em que se discutiu questões biopsicossociais que perpassam a saúde das referidas mulheres. O tema foi apresentado através de dinâmica de apresentação e entrosamento, passando à realização posterior para a roda de conversa. O método adotado visa o debate de assuntos recorrentes no cotidiano, mediante a prática participativa com as usuárias de uma Unidade de Saúde da Família (USF) campo de estágio e docência da universidade onde os/as autores/as atuam. A roda de conversa foi realizada para integrar todas/os as/os presentes na ação e estabelecer relação de horizontalidade, na tentativa de minimizar uma suposta superioridade do conhecimento acadêmico. Para dinamizar, algumas perguntas disparadoras foram elaboradas pelos membros do AISAM e lidas pelas mulheres, na intenção de estimulá-las a falar o que pensavam sobre os assuntos a partir de suas vivências. Partiu-se então para a discussão dos fatos, buscando garantir o direito de fala das usuárias. As rodas proporcionaram excelentes discussões e vivências entre os membros, tanto entre as mulheres como delas com os/as membros da equipe do AISAM. No exercício de falar as pessoas expressam seu horizonte conceitual, suas intenções e visão de mundo. Notou-se nas falas a importância de um espaço para discussão desses assuntos em prol de fortalecer a autonomia individual feminina e levar informações para combater tabus limitantes da liberdade sexual e reprodutiva. Desta forma, o fato de as mulheres adoecerem e/ou morrerem não está apenas vinculado a fatores biológicos, sendo influenciado por vários fatores, dentre eles a violência, que se constitui em um fenômeno social diretamente ligado ao modo de viver. Foi possível perceber nas narrativas dessas mulheres o desnível social econômico e o destaque da influência das questões de gênero em sua saúde – constantemente presente em seu cotidiano como violências de gênero, raça, de classe e doméstica. Compreende-se importância dos fenômenos sociais citados e a gravidade do distanciamento da Universidade como formadora de pessoas, bem como dos futuros profissionais da saúde desse contexto.