Jovens brasileiros em situação de pobreza: O cotidiano na favela
Monica Villaça Gonçalves, Ana Paula Serrata Malfitano
Abstract
RESUMOCom base em uma perspectiva compreensiva da realidade, este estudo teve como objetivo analisar as representações que jovens moradores de uma favela brasileira têm sobre aquele local, com foco nos impactos na sua mobilidade urbana e no seu cotidiano. A produção de dados foi realizada através de oficinas com jovens frequentadores de uma organização não governamental localizada em uma favela, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Os participantes foram sete jovens com idade entre 15 e 21 anos. Durante as oficinas, os jovens construíram uma “Cidade da Juventude”, com o propósito de representar o que os jovens desejavam para uma cidade. Debateram sobre a existência ou não de uma favela na cidade e sobre o acesso dos moradores da favela a outros espaços da cidade, especialmente de lazer. Observou-se que a pobreza é um dos marcadores sociais importantes nas representações sobre as favelas brasileiras e que os estigmas relacionados às favelas são incorporados e reproduzidos pelos próprios jovens. Estes fatos incidem nas possibilidades e impossibilidades da mobilidade urbana dos jovens moradores das favelas, impactando diretamente em seu cotidiano, restringindo suas oportunidades de participação social e de acesso à vida social.