Fitossociologia do estrato arbóreo em floresta nativa e em áreas do programa de recuperação de áreas degradadas sob influência da mineração, Paragominas, Pará, Brasil
Roberta Macedo Cerqueira, Mário Augusto Gonçalves Jardim, Lélio Luís Mota Silva Júnior, Lia Pena Paixão, Marlúcia B. Martins
Abstract
O bioma amazônico sofre intensamente com o processo de desmatamento de suas áreas vegetais naturais desde o século XX, com incentivos do próprio governo para ocupação e utilização de suas terras. Programas de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), implantados por grandes empresas que alteram e degradam a paisagem para sua implantação e operação, têm favorecido a restauração da vegetação e seus processos e os serviços ecológicos. Esta pesquisa teve como objetivo analisar a composição florística e estrutural em áreas de Floresta Nativa (FN) e em áreas de PRAD na mineração HYDRO, município de Paragominas, Pará. Objetivou-se também identificar as espécies mais representativas nos dois ambientes e relacionar os parâmetros fitossociológicos com os atributos morfológicos e ecológicos. Foram utilizadas 18 parcelas de 40 x 250 m (9 no PRAD e 9 na FN) e todos os indivíduos com CAP≥30 cm foram amostrados. Para comparação entre a riqueza e abundância das duas áreas foi realizada a análise de Bray Curtis e a análise de classificação divisiva TWINSPAN. Foi amostrado um total de 60 famílias, 166 gêneros e 302 espécies. Os gêneros mais ricos foram Pouteria e Inga. No PRAD, Croton matourensis e Cecropia distachya obtiveram o maior IVI e na FN foram Lecythis idatimon, Eschweilera coriacea e Rinorea guianense. A análise de Bray-Curtis e o agrupamento por média de grupos evidenciou a separação florística (riqueza) e estrutural (abundância) dos dois ambientes analisados, com uma dissimilaridade em torno de 95%. Na primeira divisão de grupos da Twinspan ocorreu a separação de todas as parcelas amostradas na área de floresta nativa (FN) e as parcelas amostradas em áreas do PRAD (PR). Recomenda-se estudos para entender de que maneira as características de vida das espécies proporcionam melhor aptidão para ocuparem e se estabelecerem em determinadas áreas.